O que aconteceu com o ensino da matemática?

Fui uma das últimas pessoas a prestar o exame de admissão necessário para se classificar e ter o direito de passar do curso primário (equivalente aos quatro primeiros anos do ciclo fundamental) para o curso ginasial (equivalente aos outros quatro anos). Aos dez ou onze anos de idade já teria que enfrentar o pavor de um exame seletivo, tal qual o vestibular.

Fiz um curso preparatório onde se adotou um livro bem grosso, denominado “Programa de Admissão” (ou era “Curso”?). Lembro-me que era dividido em várias partes: Matemática, Português, História, Geografia. Estranhamente, não havia Ciências. Salvo engano, o primeiro texto na parte de português era “O meu cajueiro”, do Humberto de Campos. Como estou apelando à minha falha memória, é provável que eu esteja enganado quanto ao nome do responsável por esta parte, o professor Domingos Pascoal Cegalla.

Na parte de matemática, o responsável era o prof. Osvaldo Sangiorgi. Havia conceitos de frações, expressões numéricas como:

{2+[3-(4-2)+5]+(7-3)}

noções de metro, centímetro, quilômetro, litro, milímetro cúbico, área, MMC (Mínimo Múltiplo Comum), etc.

Isto tudo foi no final do ano de 1969. Sim, eu e meus colegas sabíamos resolver tais questões de matemática ou, ao menos, sabíamos do que se tratava.

No ano de 1981, um grupo de alunos de um curso do primeiro ano do colégio, o chamado segundo grau, hoje conhecido como curso médio, me procuraram para que eu ministrasse aulas particulares a respeito de trigonometria, desde o básico do básico:

sin2A + cos2A = 1

passando por soma de arcos e similares:

sin(A+B)= sinAcosB+sinBcosA

Anos depois, por volta do início do século XXI, alunos do curso de licenciatura em matemática em uma universidade paulista me pedem, no meio de uma aula de introdução ao cálculo de derivadas, uma explicação de trigonometria, que eles mal tiveram no ensino médio.

Neste ano de 2008, soube de alunos que acabaram de ingressar no ensino superior que não entendem porque 1/2 + 1/4 não é igual a 1/8 …

Sobre insilicium

Tenho formação em Exatas, basicamente em Física. Atuo no ramo de TI e busco trabalhar com ciência. Não dispenso a arte, seja visual ou sonora.

Publicado em setembro 1, 2008, em ensino, matemática e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. É porque, hoje em dia, a escola está mais preocupada em formar um cidadão consciente e responsável do que com essas bobagens de números e letras.
    A escola precisa: dar comida, roupas, ensinar boas maneiras, tirar os alunos da marginalidade, ensinar escovar dentes e tomar banho, além, lógico, de formar cidadãos conscientes e responsáveis (e analfabetos). Qual seria a utilidade de pai e mãe mesmo?

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