Muitos contam a história da caneta americana e do lápis russo ocorrida na década de 60, no antigo século 20, e a utilizam como exemplo de sensatez por parte dos russos, enquanto outros contra-argumentam que quem chegou a alunissar foram os USA, não os soviéticos.
Para quem não sabe do que comento acima, lá vai: canetas comuns não funcionam na gravidade zero. Assim, para que os astronautas pudessem fazer as suas anotações, os americanos gastaram tempo e dinheiro (milhares, milhões de US$?) para desenvolverem uma caneta espacial. Enquanto isto, os russos iam com um estoque de lápis em suas lapelas.
Apesar de alguns blogueiros e correntes de e-mails afirmarem que tudo isto é verídico, é tudo um mito, de acordo com o Scientific American.
Tanto o pessoal da NASA como os astronautas soviéticos usaram lápis nos primórdios das viagens espaciais. É certo que os americanos utilizaram, na verdade, lapiseiras, os quais pagaram a bagatela de US$ 128,89 por unidade. É óbvio que os contribuintes americanos reclamaram quando o custo se tornou público. Não faço idéia se os soviéticos pagaram algo equivalente em rublos.
Contudo, em ambientes imponderáveis (gravidade zero), as partículas de grafite e restos de lápis podem se tornar um perigo para a atmosfera no interior das naves, afetando o sistema respiratório dos astronautas e os equipamentos eletrônicos. Além do mais, após o incêndio da Apolo 1, evitou-se levar qualquer objeto inflamável, tal como um mero lápis.
Em 1965, uma companhia chamada Fisher Pen Co., cujo dono é o Sr. Paul C. Fisher, patentou uma caneta que poderia escrever:
- de cabeça para baixo;
- nas temperaturas entre -45°C e 204°C;
- debaixo d’água.
O interior da caneta é feito de tungstênio e é dividido em duas câmaras: em uma está confinado o gás nitrogênio a uma pressão de aproximadamente 2.5 atmosferas; na outra câmara, está a tinta, na verdade um composto em estado de gel. Para separar as câmaras, há uma esfera metálica. No ato de escrever, o nitrogênio empurra a esfera e, com a movimentação, o gel torna-se um fluido azul. Na figura abaixo se encontra o mecanismo da caneta.

Mr. Fisher investiu em torno de US$ 1 milhão no desenvolvimento desta caneta e vendeu para a NASA 400 delas em fevereiro de 1968, de acordo com a Associated Press. Também a empresa vendeu para os russos (!) 100 canetas e 1000 cartuchos de tintas, conforme noticiou a UPI em 1969. O preço por unidade foi de US$ 2.39 tanto para os americanos como para os soviéticos.
A caneta mostrou-se útil não só para escrever como também serviu para substituir uma chave de armar que havia quebrado na Apolo 11, em seu retorno para a Terra.
Referência:
http://www.sciam.com/article.cfm?articleID=9CF01C5C-E7F2-99DF-3EEFFCD06138AEC4&sc=I100322