Arquivo para a categoria 'história'

Bullet time

Matrix trouxe à baila um efeito especial denominado bullet time, onde uma imagem é congelada e o olho da câmera roda em torno de um ou mais personagens, feitos estátuas em uma exposição.

O efeito é obtido por meio de um conjunto de câmeras enfileiradas que obtém as imagens ao mesmo tempo e, com isto, se consegue montar uma sequência cinematográfica.

Assim, o efeito obtido, antes de se adicionar o cenário “realista”, é mostrado no vídeo abaixo.

O truque das câmeras enfileiradas, contudo, remonta ao século XIX, com o fotógrafo Eadweard J. Muybridge (9/abril/1830 – 8/maio/1904).

Ele obteve diversas sequências como as imagens de um cavalo a galope. Com isto, foi possível perceber que o cavalo, na maior parte das vêzes, se equilibra em apenas uma das patas.

Doug Engelbart: quem é?

Há um livro traduzido para o português chamado “Cultura da Interface”, escrito por Steven Johnson, da Jorge Zahar Editor, que trata a respeito da interação humano-computador. Ele traz um dado interessante: quando surgiu o “mouse”?

Resposta: em 1968, em uma demonstração feita por Douglas Engelbart, um engenheiro da Stanford Research Institute. Imagine: 1968 é o tal do ano que ainda não terminou, como alguns afirmam. Além de hippies e movimentos estudantis e AI-5, 68 trouxe o mouse.

Maiores referências estão em

http://www.dougengelbart.org/pubs/augment-3954.html#Footnote

e há um vídeo longo (mais de 70 minutos e em inglês) apresentando a demonstração do Engelbart:

http://vimeo.com/1408300

Em 1968, as pessoas usavam cartão perfurado … quem por aí se lembra disto?

Camelos e cordas

“E Jesus disse aos seus discípulos: Em verdade vos digo, que um rico dificultosamente entrará no reino dos céus.
Ainda vos digo mais: Que mais fácil é passar um camelo pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino dos céus.”
(Mateus, cap. 19, vv 23-24)


Isto é bem surreal: um camelo passar pelo fundo da agulha … Parábolas sobre sementes em solos inférteis, lírios dos campos e filhos pródigos são aceitáveis: afinal, elas trabalham com idéias do cotidiano, pelo menos do cotidiano da Palestina do início da era cristã. Mas duvido que houvesse camelos passando pelo fundo da agulha nesta Palestina … ou havia?


Alguns escritores, como Anthony Burgess, comentam que, em vez de um camelo, o nazareno falou em “corda”. Não se pode esquecer a origem grega destas palavras: “kamelon” (camelo) e “kamilon” (corda). A pronúncia é muito próxima. A idéia de uma corda passando pelo fundo da agulha parece mais plausível. Contudo, diversos outros estudiosos comentam que nos evangelhos escritos em grego mais confiáveis a palavra certa é “camelo” mesmo. Até citam uma frase do Talmud, livro judaico de tradições orais, que diz a respeito da impossibilidade de um elefante passar em um fundo da agulha.


Tanto o camelo como a corda funcionam para a idéia que Jesus quer passar para os seus discípulos: a de um certo despojamento de bens para entrar no reino dos céus.


Aliás, há uma outra hipótese a respeito da metáfora utilizada: havia em Jerusalém uma passagem denominada “Buraco da Agulha”. Desconheço se há comprovação histórica ou arqueológica deste local. Esta passagem ou portal era de tal forma estreita que não permitia a passagem de camelos carregados, a não ser que estes tivessem suas cargas retiradas (despojadas) e eles atravessassem o portal meio agachados (na humildade, talvez?).

O rock que conheci (1)

Já li em algum lugar que uma das causas do rock’n roll é a segunda guerra mundial. Imagine-se em uma Londres sendo bombardeada, ou ver seus tios, irmãos mais velhos, pai, mãe, irem partir para uma terra distante ou para trabalhar em uma fábrica de armas. Medo, desesperança, morte, dor, carência de comida, água e energia elétrica, uma sensação perene de perda: as cabeças dos garotinhos e garotinhas começam a questionar os velhos modelos, querem partir para a arruaça, descobrem a sensualidade e o rock, well, vai se formando …

O término de um conflito deve levar as pessoas a querer exacerbar as manifestações de seus sentimentos: alegria, agitação, drogas, sexo, huh

Chuck, Elvis, John, Paul, Mick, Keith nasceram entre os anos 1930 e 1950, período da ascenção do nazi-fascismo, da guerra propriamente dita e as suas conseqüências. Vale a hipótese acima, não?