Bullet time

Matrix trouxe à baila um efeito especial denominado bullet time, onde uma imagem é congelada e o olho da câmera roda em torno de um ou mais personagens, feitos estátuas em uma exposição.

O efeito é obtido por meio de um conjunto de câmeras enfileiradas que obtém as imagens ao mesmo tempo e, com isto, se consegue montar uma sequência cinematográfica.

Assim, o efeito obtido, antes de se adicionar o cenário “realista”, é mostrado no vídeo abaixo.

O truque das câmeras enfileiradas, contudo, remonta ao século XIX, com o fotógrafo Eadweard J. Muybridge (9/abril/1830 – 8/maio/1904).

Ele obteve diversas sequências como as imagens de um cavalo a galope. Com isto, foi possível perceber que o cavalo, na maior parte das vêzes, se equilibra em apenas uma das patas.

Reproduções

As obras de arte plástica são únicas, não podem existir mais que um exemplar: não há duas giocondas, nem dois davids, há apenas uma capela Sistina, qualquer outra moça com brinco de pérola de Vermeer fora do museu Mauritshuis não é a própria. Há as gravuras, mas elas só funcionam porque a série é única e todas são iguais: caso uma tenha um matiz alterado, toda a série é jogada fora.

Contudo, em tempos de graphic novels e fotografias, na arte visual passa a valer o conceito de reprodutibilidade apresentado por Walter Benjamim: por mais que um original de Eisner ou de Barks atinja valores absurdos, a força dos seus trabalhos está no acesso a que muitos podem ter às suas histórias.

Novamente citando Benjamin, as obras de arte ditas clássicas vêm providas de uma aura, há um culto envolvido em torno delas. Provavelmente os originais de Eisner e Barks adquiriram esta aura, mas não era a intenção inicial dos autores fazerem uma obra única: os desenhos faziam parte de um processo de produção.

Contudo, a tal aura ainda permanece no trabalho reproduzido em massa: o processo de produção só se iniciou a partir de um original, um filme com o termo Kane só pode ser a obra de Orson Welles. Ninguém aceita comprar um DVD com o título “Kagemusha” se não for o de Kurosawa.

Em ciências, contudo, a reprodutibilidade é necessária. As ciências exatas e biológicas  possuem como um de seus pontos de apoio a comprovação experimental de uma teoria e a sua reprodutibilidade. Um grupo de pesquisas realiza uma experiência e esta precisa ser reprodutível em quaisquer outros laboratórios que possua as mesmas condições de trabalho e ambiente. A água pura ferve a 100 graus Celsius em condições normais de pressão e temperatura em qualquer ponto do planeta. A luz percorre a velocidade aproximada de 3 X 108 m/s no vácuo. O spin do elétron é 1/2, medido aqui ou em Urano.

versões (1): ruby tuesday

The Rolling Stones gravou esta música em 1966 e a lançou em 1967. O vídeo abaixo foi feito em 1988, em um show no Texas.

The Corrs também apresentou esta música, com o stone Ron Wood na guitarra.

Para quem quiser a letra:

She would never say where she came from
Yesterday dont matter if its gone
While the sun is bright
Or in the darkest night
No one knows
She comes and goes

Goodbye, ruby tuesday
Who could hang a name on you?
When you change with every new day
Still Im gonna miss you…

Dont question why she needs to be so free
Shell tell you its the only way to be
She just cant be chained
To a life where nothings gained
And nothings lost
At such a cost

Theres no time to lose, I heard her say
Catch your dreams before they slip away
Dying all the time
Lose your dreams
And you will lose your mind.
Aint life unkind?

Goodbye, ruby tuesday
Who could hang a name on you?
When you change with every new day
Still Im gonna miss you…

quantum (1)

A física no final do século XIX estava baseada na mecânica de Sir Isaac Newton e no eletromagnetismo de James Maxwell. Ambas as teorias apresentavam inúmeras provas experimentais e possuíam elegantes formulações.

O fenômeno do calor e, por extensão, a termodinâmica, eram considerados uma extensão da mecânica. Em 1845, James Prescott Joule havia demonstrado isto com as suas experiências de equivalência mecânica do calor. Mas quando se aquece em demasia uma barra de ferro, ela começa a emitir luz, um fenômeno eletromagnético. Pela cor que a barra emite, é possível determinar a sua temperatura.

A formulação na época que relacionava a cor (ou sua frequência eletromagnética) e a temperatura era falha: para valores de temperatura altas, o resultado seria uma emissão infinita de energia, o que obviamente não ocorre. Caso contrário, estaríamos todos mortos por radiação diante de uma lareira, por exemplo. Esta previsão, este modelo que funcionava para baixas temperaturas e baixas frequencias foi desenvolvida por Rayleigh e Jeans e sua expressão matemática se encontra abaixo:

fórmula de Rayleigh-Jeans

fórmula de Rayleigh-Jeans

Note que, se o valor da temperatura T aumentar, a densidade de energia aumentará em demasia e isto não está de acordo com o que se observa. Assim, havia algo de estranho.

Nascido em 1858 na cidade de Kiel, Max Planck era um físico alemão brilhante. Aos 21 anos, obteve seu doutorado na Universidade de Munique com o tema “Sobre a Segunda Lei da Teoria Mecânica do Calor”.

Retrato de Max Planck

Retrato de Max Planck

Doktor Planck se interessou pelo problema da radiação do corpo negro, como é chamado este fenômeno de emissão (e absorção) de radiação pela matéria.

Em 1900, na revista científica  “Annalen Der Physik”, surgiu o artigo de Planck intitulado Zur Theorie der Gesetzes der Energieverteilung im Normal-Spektrum (Sobre a Teoria da Lei de Distribuição de Energia no Espectro Contínuo) e também uma nova constante física, denotada por h:

h = 6.626068 × 10-34 m2 kg / s

O que significa este valor? Hoje ela é denominada constante de Planck. Quem conhece a história da física sabe o quanto Doktor Planck relutou em lançar este artigo e esta constante. Mas foi equivalente à idéia de Copérnico em retirar a Terra do centro das órbitas planetárias e colocar o sol. Revolucionário.

Nos próximos posts comentaremos as deduções de Planck e a sua formulação para o problema.

Doug Engelbart: quem é?

Há um livro traduzido para o português chamado “Cultura da Interface”, escrito por Steven Johnson, da Jorge Zahar Editor, que trata a respeito da interação humano-computador. Ele traz um dado interessante: quando surgiu o “mouse”?

Resposta: em 1968, em uma demonstração feita por Douglas Engelbart, um engenheiro da Stanford Research Institute. Imagine: 1968 é o tal do ano que ainda não terminou, como alguns afirmam. Além de hippies e movimentos estudantis e AI-5, 68 trouxe o mouse.

Maiores referências estão em

http://www.dougengelbart.org/pubs/augment-3954.html#Footnote

e há um vídeo longo (mais de 70 minutos e em inglês) apresentando a demonstração do Engelbart:

Em 1968, as pessoas usavam cartão perfurado … quem por aí se lembra disto?

versões (0): Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band

Capa

Os Beatles fizeram esta música na década de 60 e a gravadora lançou um vídeo bem interessante com base na capa original do disco acima.

Há uma versão feita pelo Jimi Hendrix, que foi elogiada pelo Paul e pelo George.

Cássia Eller também fêz a sua versão do Sargento Pimenta: o vídeo apresenta uma ligeira dessincronia entre voz e imagem, mas dá para curtir.

Não se pode esquecer da versão apresentada no desenho animado “Yellow Submarine”.

Quem quiser a letra, aí está:

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Lennon/McCartney)

It was twenty years ago today,
Sgt. Pepper taught the band to play
They’ve been going in and out of style
But they’re guaranteed to raise a smile.
So may I introduce to you
The act you’ve known for all these years,
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.
We’re Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band,
We hope you will enjoy the show,
We’re Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band,
Sit back and let the evening go.
Sgt. Pepper’s lonely, Sgt. Pepper’s lonely,
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.
It’s wonderful to be here,
It’s certainly a thrill.
You’re such a lovely audience,
We’d like to take you home with us,
We’d love to take you home.
I don’t really want to stop the show,
But I thought that you might like to know,
That the singer’s going to sing a song,
And he wants you all to sing along.
So let me introduce to you
The one and only Billy Shears
And Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

quantum (0)

Ernesto Sábato, escritor e físico argentino, comentou em um livro seu que, quando a  mecânica quântica é explicada de forma rigorosa, ela se apresenta obscura e, quando se mostra compreensível a todos, então a explicação deve ser falsa.

Lembro-me desta afirmação quando vejo reportagens ou comentários de livros de auto-ajuda que usam a teoria quântica para justificarem suas idéias. Há uma confusão de conceitos e interpretações nestas obras difíceis de desvencilhar.

O item da mecânica quântica que fascina muitos é o Princípio da Incerteza ou Princípio da Indeterminação de Heisenberg. Como já mencionou Rebecca Goldstein em seu livro “Incompletude”, o século XX viu surgirem teorias com nomes que, para um leigo, sugerem uma certa imprecisão: relatividade de Einstein, incompletude de Gödel, incerteza de Heisenberg. Contudo, são teorias bastante formais, cuja compreensão correta só ocorre mediante expressões matemáticas e em conjunto com a experiência, no caso da física.

A teoria quântica se refere ao grande problema que até hoje continua em questão que é   entender do que é feita a matéria. No século XIX, havia hipóteses sobre a existência de átomos e sua constituição, mas os experimentos não confirmavam os trabalhos teóricos da época. Estes trabalhos tinham como bases a mecânica newtoniana e o eletromagnetismo de Maxwell, teorias bastante poderosas, mas estavam em seus limites, como percebeu-se anos depois.

Oficialmente, a mecânica quântica surgiu com o artigo do Dr. Max Planck na publicação científica Annalen Der Physik a respeito da relação entre radiação emitida por um certo material e a sua temperatura em 1900:  Zur Theorie der Gesetzes der Energieverteilung im Normal-Spektrum (Sobre a Teoria da Lei de Distribuição de Energia no Espectro Contínuo, em uma tradução literal).

No próximo post será comentado este trabalho do Planck, seus sentimentos a respeito do que escreveu e um pouco da sua vida.

Do outro

Quando o Pelé, ou melhor, o Sr. Edson Arantes do Nascimento, fala a respeito dele mesmo, ele se refere a si na terceira pessoa do singular. De acordo com ele, é uma forma de proteger a sua vida pessoal, a vida do Edson.

Alguns estranham, mas fazemos algo parecido, só que em relação ao outro: é muito difundido o uso do você, corruptela de “vossa mercê”, “vosmecê”, como bem explicava os nossos professores de português. É na terceira pessoa do singular, quando há uma segunda pessoa, “tu não sabias?”, pronta para ser usada.

O Outro a quem nos dirigimos não é um próximo, é um terceiro. Até nós mesmos somos o Outro: quantas vezes não dizemos “a gente estava aqui”?

Um conto

Coloquei no site da Livraria Cultura um pequeno conto. Chama-se “Mudança”.

- Seu quarto ficou bonito!
Eliane colocou as malas sobre a cama, olhou em volta e respondeu ao seu pai, com seus grandes olhos castanhos a mirá-lo:
- É, é sim!
Nova casa, outra escola, outros amigos, … Não, nunca se esqueceria de seus amigos do antigo bairro. Ou irá?
Sua família passou por apuros financeiros; José olhou para o quarto de sua filha, lembrou-se do bercinho usado que tinha comprado de um vizinho seu e colocado ao lado da cama do casal, naquele apartamento de um quarto só.

Continua …

Camelos e cordas

“E Jesus disse aos seus discípulos: Em verdade vos digo, que um rico dificultosamente entrará no reino dos céus.
Ainda vos digo mais: Que mais fácil é passar um camelo pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino dos céus.”
(Mateus, cap. 19, vv 23-24)


Isto é bem surreal: um camelo passar pelo fundo da agulha … Parábolas sobre sementes em solos inférteis, lírios dos campos e filhos pródigos são aceitáveis: afinal, elas trabalham com idéias do cotidiano, pelo menos do cotidiano da Palestina do início da era cristã. Mas duvido que houvesse camelos passando pelo fundo da agulha nesta Palestina … ou havia?


Alguns escritores, como Anthony Burgess, comentam que, em vez de um camelo, o nazareno falou em “corda”. Não se pode esquecer a origem grega destas palavras: “kamelon” (camelo) e “kamilon” (corda). A pronúncia é muito próxima. A idéia de uma corda passando pelo fundo da agulha parece mais plausível. Contudo, diversos outros estudiosos comentam que nos evangelhos escritos em grego mais confiáveis a palavra certa é “camelo” mesmo. Até citam uma frase do Talmud, livro judaico de tradições orais, que diz a respeito da impossibilidade de um elefante passar em um fundo da agulha.


Tanto o camelo como a corda funcionam para a idéia que Jesus quer passar para os seus discípulos: a de um certo despojamento de bens para entrar no reino dos céus.


Aliás, há uma outra hipótese a respeito da metáfora utilizada: havia em Jerusalém uma passagem denominada “Buraco da Agulha”. Desconheço se há comprovação histórica ou arqueológica deste local. Esta passagem ou portal era de tal forma estreita que não permitia a passagem de camelos carregados, a não ser que estes tivessem suas cargas retiradas (despojadas) e eles atravessassem o portal meio agachados (na humildade, talvez?).

O que aconteceu com o ensino da matemática?

Fui uma das últimas pessoas a prestar o exame de admissão necessário para se classificar e ter o direito de passar do curso primário (equivalente aos quatro primeiros anos do ciclo fundamental) para o curso ginasial (equivalente aos outros quatro anos). Aos dez ou onze anos de idade já teria que enfrentar o pavor de um exame seletivo, tal qual o vestibular.

Fiz um curso preparatório onde se adotou um livro bem grosso, denominado “Programa de Admissão” (ou era “Curso”?). Lembro-me que era dividido em várias partes: Matemática, Português, História, Geografia. Estranhamente, não havia Ciências. Salvo engano, o primeiro texto na parte de português era “O meu cajueiro”, do Humberto de Campos. Como estou apelando à minha falha memória, é provável que eu esteja enganado quanto ao nome do responsável por esta parte, o professor Domingos Pascoal Cegalla.

Na parte de matemática, o responsável era o prof. Osvaldo Sangiorgi. Havia conceitos de frações, expressões numéricas como:

{2+[3-(4-2)+5]+(7-3)}

noções de metro, centímetro, quilômetro, litro, milímetro cúbico, área, MMC (Mínimo Múltiplo Comum), etc.

Isto tudo foi no final do ano de 1969. Sim, eu e meus colegas sabíamos resolver tais questões de matemática ou, ao menos, sabíamos do que se tratava.

No ano de 1981, um grupo de alunos de um curso do primeiro ano do colégio, o chamado segundo grau, hoje conhecido como curso médio, me procuraram para que eu ministrasse aulas particulares a respeito de trigonometria, desde o básico do básico:

sin2A + cos2A = 1

passando por soma de arcos e similares:

sin(A+B)= sinAcosB+sinBcosA

Anos depois, por volta do início do século XXI, alunos do curso de licenciatura em matemática em uma universidade paulista me pedem, no meio de uma aula de introdução ao cálculo de derivadas, uma explicação de trigonometria, que eles mal tiveram no ensino médio.

Neste ano de 2008, soube de alunos que acabaram de ingressar no ensino superior que não entendem porque 1/2 + 1/4 não é igual a 1/8 …

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